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Métricas de estudo realmente falam algo?

Recentemente fui obrigado (sim, obrigado) a tirar férias no meu trabalho, estabeleci para mim mesmo uma meta que duraria todo o período de férias, exatamente 15 dias, meta essa que que consistia em estabelecer uma rotina de estudos regrada e focada especificamente em concursos públicos — focando no concurso do Banco do Brasil. Já se passaram 13 dias desde então, e eu já posso me dar como “vencido”, estudei todos os dias de forma ritualística, consegui tirar algumas reflexões disso, estas que gostaria de compartilhar de alguma forma.

Primeiramente, acho muito importante destacar alguns pontos antes de trazer as reflexões propriamente ditas:

  1. Esse período foi mais uma “arrancada” do que qualquer outra coisa, meu objetivo não é continuar exatamente no mesmo ritmo, até por quê não terei mais o tempo hábil para despender totalmente na minha rotina de estudos de concurso público;
  2. O objetivo dessa arrancada é justamente estabelecer um ritmo relativamente pesado, me acostumar, e manter em um ritmo mais leve, balanceando com todas as outras questões rotineiras que estão por vir;
  3. Outro objetivo foi me estabelecer e me conhecer nesse mundo, mergulhei totalmente nisso, para descobrir o que funciona, ou não, comigo;

A maior dificuldade que encontrei nesse processo foi manter esse ritmo diariamente, o meu costume era fazer seis horas líquidas diárias de estudo, porém como sou abençoado (tenho TDAH), era impossível estudar todas essas horas sem perder o rendimento totalmente. Desenvolvi algumas formas de lidar com isso, todas que considero bem saudáveis e nada punitivas:

Nesse período fiz um total de 657 questões, alguns dias fazendo mais, outros menos, mas nunca deixando de praticar. Minha concepção de estudo amadureceu bastante, sai de uma visão idealizada para uma mais pragmática — o estudo é uma maratona, o talento ajuda, mas quem ganha a corrida é quem tem consistência.

Nesse ponto eu passei a enxergar o mercado privado como uma perda de tempo total, além da incerteza envolvida, a qualidade de vida é muito mais precária quando se comparada com um concurso público que tem perspectiva de aposentadoria. Sempre tive um conflito muito pessoal com o mercado de trabalho privado, que não acho relevante expor; dito isso: prefiro uma carreira mais estável e ganhando menos.

Nesse período eu fui bem meticuloso com as métricas de estudo, as minhas métricas consistiam em: anotar os assuntos estudados, listar rendimento baseado na quantidade de questões por acertos e os meus pontos “falhos” que foram notados nas minhas sessões de estudo. No fim não acabei fazendo muita coisa com esses dados todos, porém notei que apenas um deles é realmente relevante: os pontos falhos são a chave da evolução.

Me levou um tempo para perceber como as métricas de rendimento são mentirosas e falam pouco sobre o seu aprendizado; o erro existir é apenas uma consequência do seu aprendizado estar defasado em algum aspecto, e isso deve ser observado, não ignorado. Por quê digo ignorado? Percebi que quando me preocupava muito com essas métricas extremamente objetivas evitava fazer questões de assuntos que eu tinha pouco domínio com o medo de abaixar o meu rendimento — nem preciso dizer o quão burro é fazer isso né?

Acho que o ponto principal da evolução é montar um caderno de erros robusto, que consegue englobar todos os seus aspectos defasados, portanto: não ter medo de errar é algo muito importante, apenas faça, no fim das contas o concurso pouco se importa se você tem um rendimento de 80% no QC, seu repertório é baixo e você vai ficar para trás.