Início
A primeira pergunta a ser feita é: por que fazer algo assim se temos tantas soluções robustas disponíveis no mercado para assintura, como por exemplo o Visor e o Pierre???
Sendo bem direto ao ponto: eu odeio gastar dinheiro.
A minha dor
De uns tempos para cá andei tentando manter meus gastos mais organizados, por mais que eu não seja uma pessoa “gastadeira” eu gosto de saber com o que eu gasto, e acho que todos têm esse desejo, certo? Portanto, comecei a me organizar financeiramente por meio de planilhas dentro do Google Sheets — algo bem irônico para alguém que programa dia e noite. Meio que acabou sendo a solução mais direta ao ponto e rápida de se configurar naquele momento para mim (eu obviamente utilizei da Inteligência Artificial para criar a planilha para mim… nem em Excel eu sei mexer, pra variar).
O gatilho
Depois de alguns meses usando planilhas, notei o trabalho descomunal que era anotar cada uma das compras em que eu fazia, colocando valor; origem; destinatário; se era um gasto supérfluo ou não; e eu tinha muita preguiça de fazer isso. Mas enfim, não era algo que me incomodava tanto assim, vida que segue, não quero arrumar mais problemas para mim.
O mundo mágico do self-hosting
No dia 14/08/2026 tive um estalo na minha cabeça e lembrei de um Thinkpad L14 que eu havia parado de usar, estava pegando poeira em uma das minhas gavetas. Eu já havia colocado ele para rodar há algum tempo atrás como servidor, porém teve pouca utilidade para mim na época… eu não tinha nada realmente útil para hospedar dentro dele e eu tinha preguiça de configurar tudo.
O self-hosting é um buraco negro de possibilidades, alguns exemplos famosos de projetos open-source para auto-hospedagem são: Bitwarden; Pi-hole; Forgejo; Nextcloud. Nesta postagem eu não entrarei em detalhes profundos com relação as ferramentas oferecidas pela comunidade, para a comunidade; vou focar apenas nas que eu estou usando, e estão resolvendo os meus problemas.
Paranoias que eu tinha
Um dos motivos principais que me fez estacionar o projeto do meu servidor foi a paranoia quanto aos bots que varrem a internet por IP’s de máquinas que estão com suas portas abertas.
Você pode pensar: “mas o número de IP’s disponíveis não é absurdamente grande para varrer a internet de forma tão rápida?” — e sim, você está certissimo no seu questionamento pessoa hipotética!
O IPv4 tem cerca de 4 bilhões de endereços. Ferramentas como o Masscan e o ZMap já são capazes de varrer a internet inteira para uma única porta em poucos minutos com hardware e rede muito fortes, mandando tentativas de conexão via protocolo TCP, o servidor manda um SYN para portas conhecidas (22, 3389, 6379, 5432, etc) e armazenam quem responde á essa tentativa. Com tudo mapeado entramos mais a fundo nesses IP’s, utilizando ferramentas como o Nmap para mapear portas internas desse IP que estão abertas, verificando o header exposto para saber qual versão do software que está sendo usado, posteriormente buscando em bases de vulnerabilidades que existem nas versões que foram catalogadas.
A partir disso existem infinitas ramificações de possíveis ataques, com as vulnerabilidades identificadas, alguns exemplos são:
- Acesso não autorizado de SSH, por meio de brute-force;
- Bancos de dados porcamente modelados, sem distinção de acesso por perfil de usuário, comprometendo a integridade da aplicação;
- Paineis administrativos que estão mapeados via forwarding, na internet, e que não utilizam boas práticas de segurança, como 2FA;
- Mineração de criptomoedas por meio de um ataque silencioso;
Todos esses problemas são mitigados com um conhecimento razoável em cybersec e possíveis vetores que o atacante pode utilizar para acessar a sua aplicação. Está com medo de expôr o seu serviço na internet? Use uma tailnet via Tailscale; Tem medo de alguém ter acesso ao RDP da sua máquina de maneira não autorizada? Feche a porta do RDP; E o meu painel de admin? Não coloque o port-forwarding, e adicione 2FA como uma medida física de segurança; Quer cortar toda conexão maliciosa pela raiz? Coloque um NAT que só permite conexões previamente solicitadas.
E na prática?
Bom, na prática eu limito quem pode acessar o SSH ao grupo seleto que tem acesso a minha tailnet, dentro da tailnet eu assumo o princípio de menor privilégio, ou seja, conseguiu entrar? Boa sorte, você não tem acesso a nenhum serviço dentro da tailnet; um firewall também está colocado para restringir conexões apenas pela tailnet e via subnet; desabilitei login em SSH usando senhas, e também desabilitei a possibilidade de fazer o acesso remoto como root.
Com tudo isso feito, posso configurar o Securo rodando como um serviço dentro de uma porta no servidor. E o que é o Securo, afinal? É um serviço open-source de gerenciamento financeiro que se conecta diretamente ao open-finance via Pluggy e pode ser hospedado localmente.
Sério, eu achei esse projeto simplesmente incrível, ele resolve todas as minhas dores relacionadas à organização financeira. Eu não tenho mais trabalho de subir despesas; de calcular para onde tá indo cada coisa; quanto eu gastei do meu income em coisas supérfluas. Ele já faz tudo isso automaticamente, e pra melhorar, de forma gratuita. Veja por si só: usesecuro.com
Conclusão
Não planejo colocar muitas coisas além de um Securo e um Hermes rodando nesse servidor, não vejo o por quê para alocar mais coisas dentro dele, se eu ainda não tenho um caso de uso muito específico, indo bem além, creio que colocar um Forgejo dentro dele já está de ótimo tamanho para mim.
Viva o software livre!